Persona na coxia
Bom, quem conhece um pouquinho da Persona, sabe que nós nunca estamos parados, por isso não é novidade nenhuma dizer que nós estamos ensaiando muito para o final do ano. Bom, ainda não tive uma visão de como está tudo, apenas bisbilhotei o ensaio do segundo ano e ache beeeem legal. O nosso auto de natal também está ficando divertido, diferente, promete.
Hoje tivemos uma deliciosa apresentação de “De fuxicos e retalhos” para as crianças que estão internadas na Santa Casa de Misericórdia de Campos. Não sei quanto ao resto do grupo, mas eu saí com uma sensação gostosa no peito, de poder ter de alguma forma, mudado a rotina tão difícil daquelas crianças. E olha que eu nem fiz nada, os atores é que fizeram, mas poder estar ali com eles encheu meu dia de alegria.
Bom, não contei a ninguém, mas acho que este é um bom momento e espaço para isso. Os últimos quatro meses foram muito difíceis pra mim. A minha vida pessoal estava destruída, era caquinho quebrado pra tudo quanto é lado. Perdi muito meu chão, mas estar tão dentro da Persona neste tempo, foi a minha tábua de salvação. “Fuxicos”, “Melodrama”, “Desejo” e a performance me ajudaram e muito a manter o meu eixo, o meu centro. A faculdade também foi importante neste processo, e principalmente a minha fé. E quando digo fé, não falo em igreja, na instituição ou em pessoas. Porque não tive apoio de ninguém da igreja, mesmo gritando por socorro. Digo fé em Deus, nos planos e sonho que eu sei que ele tem para mim. No amor e cuidado constante que ele me dá.
Disso tudo, o que eu queria destacar, é como o teatro é importante para nos manter em equilíbrio constante. O ator aprende a lidar com os seus sentimentos, a domá-los, e quando está no meio de processo teatral, isso fica mais fácil.
A Persona é assim na minha vida. Quando tudo desmorona, lá é onde eu sei que posso reconstruir tijolo por tijolo. E a obra nunca é feita só. Companheiros sempre aparecem para ajudar a erguer novamente a casa. Mesmo com tantos desses queridos amigos tãooooo distantes e fazendo uma falta danada, sempre surgem outros que mesmo sem saber, com gestos, olhares, palavras, se tornam fundamentais em processos pós-traumáticos como esse que passei.
Bem queridos, este é um post de gratidão a todos que fazem parte desta família, desde os irmãos mais velhos, até os mais novinhos, que estão sendo “adotados” agora. Espero contar sempre com vocês.