Mudou alguma coisa.
Eram meia-noite e quatorze quando o menino começou a escrever.
Comemorar o aniversário com pessoas tão queridas tinha sido um momento singular em sua história de vida. O menino lembrou-se das vezes em que achava que nunca teria amigos, que seria um eremita vagando sozinho por toda a vida. E riu, não por ironia, mas por gratidão ao que Deus estava fazendo na sua vida.
O menino recordou de cada rosto que estava naquela celebração. Recentes, antigos, irmãos, irmãs, os de perto e os de longe; cada um ali tinha uma boa história para contar do menino. E nem mesmo um rosto presente, destoante do resto do grupo, conseguiu tirar a alegria daquele menino.
Ele riu, conversou, cantou, abraçou e riu denovo e denovo.
Pode ter sido uma noite comum para os outros. Mas não foi para o menino.
E agora, no quarto, escrevendo, ele lembra do último ano. Tudo o que passou, viajou, trabalhou, cantou, amou, sofreu, vibrou, conheceu, orou, se enganou, se transformou, mudou e viveu. E deita para dormir com a certeza de que é a última noite de sua vida como menino.
Amanhã já será homem-feito.
Dorme menino, dorme.
E sonhe.
Até o dia clarear,
e colocar mais um adulto no mundo.